O Que Permanece Sem Nome
Nem tudo que sentimos aceita definição.
MISTÉRIO


Há coisas que acontecem dentro de nós
sem solicitar registro.
Não são exatamente tristeza.
Nem ausência.
Nem desejo.
São estados que não cabem em palavra alguma.
E talvez o mistério comece aí —
no instante em que sentimos algo
que não pode ser apresentado.
O que não tem nome não pode ser discutido com precisão.
Também não pode ser negado com clareza.
Ele permanece num território impreciso,
onde a linguagem não alcança.
Há vínculos que nunca foram assumidos.
Há despedidas que nunca foram declaradas.
Há mudanças que não avisaram que estavam acontecendo.
Tudo isso existe.
Mas sem nome.
E o que permanece sem nome
costuma durar mais do que aquilo
que foi explicado.
