O Terceiro Ruído

Uma obra sobre interferências, distorções e aquilo que surge quando o silêncio deixa de ser possível.

Juliano Tramujas

O Terceiro Ruído parte do momento em que o silêncio deixa de se sustentar. Após a ausência inicial e sua repetição, surge algo diferente: uma interferência contínua, irregular, difícil de isolar ou interpretar. O ruído não substitui o silêncio — ele se infiltra nele.

A obra é composta por registros atravessados por distorções. Documentos incompletos, relatos contaminados, observações que já não conseguem separar fato, interpretação e falha técnica. Não há mais lacunas claras. O que existe agora é excesso impreciso: informações que não se organizam, sinais que não conduzem a conclusões estáveis.

Ao contrário dos livros anteriores, aqui o problema não é o que falta, mas o que sobra. O ruído ocupa o espaço deixado pelo silêncio e impede a consolidação de uma narrativa limpa. Cada fragmento parece carregar interferências de outros, como se o arquivo estivesse sendo constantemente regravado sobre si mesmo.

O leitor encontra um território instável, onde nenhuma versão se apresenta como definitiva. O ruído não esclarece nem confunde totalmente — ele desgasta. Introduz dúvida contínua, impede fechamento e torna impossível distinguir entre erro, manipulação e desgaste natural do registro.

Mais do que uma quebra, o ruído funciona como consequência. Ele surge quando o silêncio não pode mais ser mantido e quando a tentativa de registrar tudo gera saturação. O arquivo deixa de ser espaço de preservação e passa a operar como campo de conflito entre sinais concorrentes.

Nem toda interferência é acidental.
Algumas são produzidas para impedir a escuta.

O arquivo permanece instável.

O Terceiro Ruído

Quando o silêncio deixa de ser possível